IBTEL Instituto Bíblico Teológico Elohim

domingo, 26 de janeiro de 2014

Explicando as Aparentes Contradições na Bíblia II


O Evangelho de Mateus parece incongruente quanto aos sinóticos e também oximoro ao At. Será que existe alguma explicação para essa disparidade? Veja!

Por que a Bíblia não desabonou os reis magos, por seguirem a estrela, já que ela condena a astrologia?

PROBLEMA: A Bíblia condena o uso da astrologia (veja Lv 19:26; Dt 18:10; Is 8:19), contudo Deus abençoou aqueles homens sábios (os magos) por terem usado uma estrela como indicação do nascimento de Cristo.

SOLUÇÃO: Em primeiro lugar, temos de nos perguntar o que é a astrologia. Astrologia é a crença de que o estudo da disposição e do movimento das estrelas pode capacitar alguém a prever acontecimentos - sejam eles bons ou maus.
Em segundo lugar, essa estrela apareceu no relato bíblico para anunciar o nascimento de Cristo, não para prever este acontecimento. Deus deu a estrela aos magos para proclamar-lhes que já era nascida a criança. Sabemos que o menino já tinha nascido, porque em Mateus 2:16 Herodes ordenou matar em Belém e arredores todos os meninos até dois anos, de acordo com "o tempo do qual com precisão se informara dos magos".
Em terceiro lugar, há outros casos na Bíblia nos quais estrelas e planetas
são usados por Deus na revelação de sua vontade. O Salmo 19:1-6 afirma que
os céus proclamam a glória de Deus e Rm 1:18-20 nos ensina que a criação
revela a existência de Deus. Cristo refere-se ao que acontecerá com o sol, com
a lua e com as estrelas na sua segunda vinda (Mt 24:29-30), como o fez o
profeta Joel (2:31-32). A estrela que guiou os magos não foi usada para prever, mas para proclamar o nascimento de Cristo.
Como podemos explicar a citação aparentemente falha de
Miquéias 5:2 feita por Mateus?

PROBLEMA: Mateus 2:6 cita Miquéias 5:2. Entretanto, as palavras que Mateus
emprega são diferentes das que foram usadas por Miquéias.
SOLUÇÃO: Embora Mateus pareça ter mudado algumas das palavras da
passagem de Miquéias, não há um real desvio no sentido do texto. Em alguns
pontos, ele parece estar parafraseando.
Primeiro, Mateus insere a expressão "terra de Judá" no lugar da palavra
"Efrata". Isso na verdade não muda o sentido do versículo. Não há diferença
entre terra de Judá e Efrata, exceto que uma é mais específica do que a outra.
De fato, Efrata refere-se a Belém na passagem de Miquéias, e Belém localiza-se
na terra de Judá. Entretanto, isso não altera o sentido básico deste versículo.
Ele fala da mesma área de terra. É interessante notar também que, quando
Herodes perguntou aos principais sacerdotes e escribas sobre onde o menino
deveria nascer, eles disseram: "em Belém da Judéia" (Mt 2:5).
Segundo, Mateus descreve a terra de Judá como não sendo "de modo
algum a menor", ao passo que Miquéias afirma que ela é "pequena demais". O
que Mateus está dizendo é que desde que o Messias deva vir dessa região, ela
de forma alguma é a menor entre as outras áreas da terra de Judá. A frase de
Miquéias diz apenas que Belém é bem pequena, bem diminuta, quando
comparada às outras cidades da terra de Judá. O versículo não diz que ela é a
menor entre elas, apenas que é muito pequena. Mateus está dizendo a mesma
coisa com outras palavras, ou seja, que Belém é pequena em tamanho, mas de
forma alguma a menor em importância, já que dela sairia o Messias.
Finalmente, Mateus emprega a frase: "que há de apascentar a meu povo,
Israel", e Miquéias não diz nada a respeito disso. Miquéias 5:2 reconhece que
haverá aquele que "há de reinar em Israel", e Mateus também reconhece isso,
com a expressão "o Guia". Contudo, a frase que não é dita por Miquéias na
verdade é tirada de 2 Samuel 5:2.
A combinação desses versículos não anula o que está sendo dito, mas
reforça o ponto que o autor quer salientar. Há outros casos em que isso ocorre
também, em que o autor combina um texto da Escritura com outro. Por
exemplo, Mateus 27:9-10 pega uma parte de Zacarias 11:12-13 e outra de
Jeremias 19:2,11 e 32:6-9. Também, Marcos 1:2-3 toma uma parte de Isaías
40:3 e outra de Malaquias 3:1; e somente a primeira é mencionada, já que ela
é a mais importante.
Em resumo, Mateus não apresenta nada de errado ao citar Miquéias 5:2 e
2 Samuel 5:2. A citação é precisa, mesmo tendo ele parafraseado uma parte
dela e combinado com outra porção da Escritura.
Mateus não errou quando citou uma profecia não encontrada
no AT?
PROBLEMA: Mateus afirma que Jesus mudou-se para Nazaré, para "que se
cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado
Nazareno" (Mt 2:23). Entretanto, tal profecia não é encontrada em nenhum
profeta do AT. Será que Mateus cometeu um erro?
SOLUÇÃO: Mateus não disse que algum "profeta" (no singular) do AT tenha
afirmado isso. Ele simplesmente afirmou que "profetas" (no plural) que
viveram no AT predisseram que Jesus seria chamado Nazareno. Dessa forma,
não há por que acharmos que devemos encontrar um versículo nesse sentido;
devemos simplesmente considerar como sendo a afirmação de Mateus uma
verdade geral, que pode ser encontrada em muitos profetas, no que
corresponde ao tipo característico do nazareno. Há várias sugestões de como
Jesus teria "cumprido" (realizado) essa verdade.
Alguns apontam para o fato de que Jesus cumpriu todos os requisitos de
justiça da Lei do AT (Mt 5:17-18; Rm 8:3-4), da qual uma parte envolvia o
santo compromisso feito no voto de "Nazireu". Esse voto era para "consagrar-se
para o Senhor" (Nm 6:2), e Jesus cumpriu isso perfeitamente. Entretanto, a
palavra é diferente tanto no hebraico como no grego, e Jesus nunca fez esse
voto em particular.
Outros apontam para o fato de que Nazaré provém da palavra básica
nctzer (renovo). E muitos profetas falaram do Messias como sendo o "Renovo"
(cf. Is 11:1; Jr 23:5; 33:15; Zc 3:8; 6:12).
Ainda outros observam que a cidade de Nazaré, onde Jesus viveu, era
um lugar desprezado, "fora dos bons caminhos". Isso ficou evidente na
resposta de Natanael: "De Nazaré pode sair alguma coisa boa?" (Jo 1:46).
Considerando isso, "Nazareno" era um termo de desprezo apropriado ao
Messias, a respeito de quem os profetas haviam predito que seria "desprezado e
o mais rejeitado entre os homens" (Is 53:3; cf. SI 22:6; Dn 9:26; Zc 12:10).
Há um erro de Mateus ou de Lucas, no registro da tentação de Cristo no deserto?

MATEUS 4:5-10 (cf. LUCAS 4:5-12)
PROBLEMA: De acordo com Mateus e Lucas, a primeira tentação foi a de
transformar pedras em pão para satisfazer a fome de Jesus. De acordo com
Mateus, a segunda tentação aconteceu no pináculo do templo, e a terceira
envolveu todos os reinos do mundo. Entretanto, embora Lucas mencione esses
mesmos dois eventos, ele o faz pela ordem inversa - os reinos do mundo são
mencionados em segundo lugar e o pináculo do templo, em terceiro. Qual é
então a ordem correta?
SOLUÇÃO: Pode ser que Mateus esteja descrevendo essas tentações em ordem
cronológica, ao passo que Lucas se ateve à ordem que propiciassem clímax, ou
seja, conforme os tópicos envolvidos. Isso para expressar clímax que Lucas
desejava enfatizar. Observe que Mateus 4:5 começa com a palavra "então", e o
versículo 8 tem a palavra "ainda". No grego, essas palavras sugerem uma certa
ordem sequencial dos eventos. Já no relato de Lucas, porém, o versículo 5
começa com um simples "e", e o versículo 9 com uma palavra que no grego
corresponde a "e" ou "também" (veja SBTB). O grego, no registro de Lucas, não
indica necessariamente uma ordem sequencial dos eventos. Além disso, não
há discordância alguma quanto ao fato de que essas tentações realmente ocorreram.
Por que Mateus cita Isaías de forma incorreta?
MATEUS 4:14-16.
PROBLEMA: Mateus parece não citar Isaías 9:1-2 de forma precisa. Pelo
contrário, parece que ele fez alterações.
SOLUÇÃO: Para que haja fidelidade ao texto citado, não é necessário usar
exatamente as mesmas palavras. Mateus não distorce o sentido dessa
passagem. Ele simplesmente a condensa ou resume. Parafrasear com
fidelidade não é distorcer. Não fosse assim, nenhum noticiário, nenhum
registro histórico teria fidelidade, já que todos eles resumem o que aconteceu;
isso é essencial no registro de fatos históricos.
Quem é a luz do mundo, os crentes ou Jesus?
MATEUS 5:14.
PROBLEMA: Nessa passagem, Jesus disse a seus discípulos: "Vós sois a luz do
mundo". Entretanto, em João 9:5, Jesus declarou: "Sou a luz do mundo". Quem
é então a luz do mundo, Jesus ou os seus discípulos?
SOLUÇÃO: Tanto Jesus como os discípulos são a luz do mundo. Jesus é a luz
primária, e nós, seus discípulos, somos a luz secundária. Assim como a luz do
sol é para a lua, Jesus é a fonte da luz, e nós somos os refletores dessa luz.
Jesus disse: "Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo" (Jo 9:5). Agora
que ele não mais está aqui, nós somos sua luz, refletida para o mundo.
Jesus veio para pôr um fim na Lei de Moisés?
MATEUS 5:17-18.
PROBLEMA: Jesus disse muito explicitamente: "Não penseis que vim revogar
a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir." Entretanto,
certa ocasião Jesus aprovou seus discípulos quando eles quebraram a lei dos
judeus quanto ao trabalho no sábado (Mc 2:24), e o próprio Jesus
aparentemente aboliu a lei cerimonial ao considerar puros todos os alimentos
(Mc 7:19).
Os discípulos de Jesus rejeitaram claramente muito do que era da lei do
AT, inclusive a circuncisão (At 15; Gl 5:6; 6:15). De fato, Paulo declarou: "Não
estais debaixo da lei e sim da graça" (Rm 6:14), e afirmou, também, que os Dez
Mandamentos, gravados em pedra, tinham sido removidos em Cristo (2 Co
3:7,14).
SOLUÇÃO: Na questão quanto a se a Lei de Moisés foi abolida por Cristo, a
confusão se estabelece por se deixar de fazer distinção entre várias coisas.
Em primeiro lugar, há a confusão do tempo. Durante sua vida terrena,
Jesus sempre guardou pessoalmente a Lei de Moisés, inclusive oferecendo
sacrifícios aos sacerdotes judeus (Mt 8:4), participando das festas judias (Jo
7:10) e comendo o cordeiro pascal (Mt 26:19). De vez em quando ele violava as
tradições falsas dos fariseus, que tinham sido levantadas em torno da Lei (cf.
Mt 5:43-44), repreendendo-os: "Invalidastes a palavra de Deus, por causa da
vossa tradição" (Mt 15:6). Os versículos que indicam que a Lei foi cumprida
referem-se à situação depois da cruz, quando não há "nem judeu nem grego...
porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3:28).
Em segundo lugar, há uma confusão quanto a certos aspectos. Pelo
menos algumas das referências (se não todas) à Lei, a respeito de elas terem
sido abolidas no NT, referem-se a cerimônias e tipos do AT. Esses aspectos
cerimoniais e tipológicos da Lei de Moisés foram de forma clara abolidos
quando Jesus, o nosso cordeiro pascal (1 Co 5:7), cumpriu os tipos e predições
da Lei quanto à sua primeira vinda (cf. Hb 7-10). Nesse sentido, Jesus
claramente aboliu os aspectos cerimoniais e tipológicos da Lei, não
destruindo-a, mas cumprindo-a.
Finalmente, há uma confusão quanto a contexto, mesmo quando as
dimensões morais da Lei são discutidas. Jesus, por exemplo, não apenas
cumpriu as exigências morais da Lei por nós (Rm 8:2-3), mas também o
contexto nacional e teocrático no qual os princípios morais de Deus foram
expressos no AT não mais se aplica aos cristãos nos dias de hoje. Por exemplo,
não estamos debaixo dos mandamentos como Moisés os expressou para o povo de Israel, porque, ao serem expressos ao povo nos Dez Mandamentos,
eles traziam a recompensa de que os judeus viveriam uma longa vida "na terra
[da Palestina] que o Senhor, teu Deus, te dá [aos israelitas]" (Êx 20:12). Quando
o princípio moral contido nesse mandamento do AT é estabelecido no NT, ele
se expressa num contexto diferente, a saber, num contexto que não é nacional
nem teocrático, mas pessoal e universal.
Para todas as pessoas que honram seus pais, Paulo declara que eles terão
"longa vida sobre a terra" (Ef 6:3). De igual forma, os cristãos não mais estão
debaixo do mandamento de Moisés para cultuarem no sábado (Êx 20:8-11), já
que, depois da ressurreição, das aparições e da ascensão (as quais ocorreram
todas no domingo), os cristãos cultuam no domingo em vez de no sábado
(veja At 20:7; 1 Co 16:2).
O culto do Shabbath, declarou Paulo, era no AT apenas uma "sombra" da
realidade nova que foi inaugurada por Cristo (Cl 2:16-17). Já que até mesmo
os Dez Mandamentos, como tais, foram expressos dentro de um contexto
nacional, judeu, teocrático, então o NT pode falar corretamente que o que
estava "gravado em pedras" foi, "em Cristo, removido" (2 Co 3:7,13-14).
Entretanto, isso não significa que os princípios morais contidos nos Dez
Mandamentos, que refletem a verdadeira natureza de um Deus imutável, não
são mais pertinentes aos crentes nos dias de hoje. De fato, cada um dos
princípios contidos nos Dez Mandamentos é restabelecido num outro contexto
no NT, exceto, é claro, o mandamento para descansar e cultuar no sábado.
Os cristãos hoje não mais se acham debaixo dos Dez Mandamentos tais
como foram dados por Moisés, da mesma forma como não estamos debaixo
dos requisitos da Lei Mosaica de sermos circuncidados (veja At 15; Gl 3) ou de
levarmos um cordeiro ao templo em Jerusalém para ser sacrificado. O fato de
estarmos presos a leis morais semelhantes confia o adultério, contra a
mentira, contra o roubo e contra o assassinato não prova que estamos ainda
debaixo dos Dez Mandamentos, assim como o fato de haver leis de trânsito
semelhantes nos diversos estados de um país não implica que um infrator da
lei no estado "A" esteja sujeito à lei do estado "B".
A verdade é que aquele que violou uma lei no estado "A" não violou lei
alguma do estado "B", nem muito menos está sujeito às penalidades impostas
neste estado. Da mesma maneira, embora tanto o AT como o NT se
pronunciem contra o adultério, a punição no entanto é diferente - a pena
capital no AT (Lv 20:10) e somente a excomunhão da igreja no NT (1 Co 5:1-
13), com a esperança de uma reintegração mediante o arrependimento (cf. 2
Co 2:6-8).
Referências Bibliográficas
Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições”
da Bíblia / Norman Geisler, Thomas Howe; traduzido por
Milton Azevedo Andrade. — São Paulo: Mundo Cristão,
1999-
Título original: When critics ask
ISBN 85-7325-188-9
1. Bíblia—Autoridade, testemunhos etc. 2. Bíblia —
Miscelânea I.Howe, Thomas II.

Profº Euler lopes